quinta-feira, novembro 26

Sorvete de Morango.

Pra mim seria apenas mais uma tarde de calor insuportável. Estava deitada na minha cama com todas as janelas do meu quarto abertas e o ventilador de teto ligado, na máxima potência. Minhas pernas e braços estirados sobre a colcha, a expressão de cansaço me dominava, por mais que a única coisa que tenha feito no dia tenha sido acordar e tomar mil litros de suco de uva de caixa.

Nessa situação o telefone toca. "Beleza, minha mãe me mandando ir até o fim do mundo buscar pão" foi o pensamento que instantaneamente me veio à cabeça. Mas quando atendi o telefone uma voz me surpreendeu. Não era minha mãe, muito menos minha melhor amiga, e não, também não era meu pai. Era ele - eu sei, por que ELE me ligaria? - me chamando para tomar sorvete.
Primeiro eu fiquei um tanto quanto apreensiva, fazia um tempo que não nos falávamos, e nossa última conversa foi um completo desastre. A não ser que você considere um término de namoro algo agradável. E foi, simplesmente, tenebroso. Arrepio-me só de tentar recordar... Aquela voz fria dele, sem qualquer emoção, sem remorso, sem hesitação - tão seco como um robô -, me dizendo que ele não me amava mais, que tudo o que ele achava que sentia por mim tinha sido superestimado... E eu nem me dei ao trabalho de chorar, pelo menos não na frente dele, ele já estava dentro do carro quando eu ousei levantar meu olhar dos meus tênis rasgados sobre o chão sujo do estacionamento. Sim, ele me largou no estacionamento. HÁ SEIS MESES. E desde então não me dirigiu a palavra, sequer o olhar. E, agora, seis meses depois daquela tarde de inverno, ele volta?
Onde isso é justo? Onde isso é certo? Onde estavam os escrúpulos dele?
Porque, sinceramente, eu nunca deixei de amá-lo. Eu tentei, afinal, ele me destruiu, mas não adianta... Cada novo menino que eu conheço só me faz querê-lo mais e mais. E, agora, do nada, ele me liga me chamando pra sair? E o pior, eu aceito depois de tudo que eu passei por ele? Onde isso é certo?
Bem, só sei que ele apareceu aqui meia hora depois. Eu já esperava desesperada na janela do meu quarto, vestindo a melhor roupa que eu pude achar nesse calor; minhas saias de cintura alta, uma camiseta branca, o colar com um coração torto que ele me deu em um dia dos namorados, e meu fiéis tênis vermelhos de cano alto. Quando vi aquele carro velho parar no meu portão já tinha corrido escada abaixo antes que ele buzinasse. Escancarei o portão e tentei disfarçar para que ele não achasse que estava com tudo ganho - como se ele já não soubesse disso. Falhei ao tentar ignorar a beleza dele. Como sempre, estava vestindo aqueles jeans surrados nos quais eu cansei de enfiar minhas mãos, uma camiseta branca com cheiro de roupa lavada, tênis tão surrados quanto os meus e óculos escuros pretos. O cabelo dispensava comentários, bagunçado, brilhoso, implorando que uma mão o despenteasse ainda mais. A única coisa que pude fazer foi suspirar e abraçá-lo.
Ele me levou a uma sorveteria com varanda, e, por incrível que pareça, brisa. Eu estava feliz demais para conseguir achar qualquer defeito, por mais que não existisse algum. Quando chegamos lá, ele pediu que eu esperasse na mesa, me perguntou o que eu iria querer. "Sorvete de morango" disse por entre um sorriso.
Ele voltou com um sunday, cheio de marshmellow, calda e uma enorme cereja no topo. Trazia duas colheres coladas ao pote. Eu o encarei, esperando pelo meu sorvete de morango. "O sorvete é de morango" ele disse, sem que eu precisasse falar qualquer coisa.
Ia pegando minha colher, quando ele a tomou de minha mão e pegou o sorvete pra mim. E, meu Deus, ele levou a colher até à minha boca para que eu tomasse o sorvete. Eu senti aquela sensação de moleza de novo, fechei os olhos e apreciei o momento, e fiz questão de fotografá-lo em minha mente, o guardaria pra sempre.
Ele levou a mão à minha bochecha e a acariciou, eu inclinei o rosto numa tentativa tola de fugir. Pegou meu queixo e fez com que olhasse pra ele, e eu o fiz.
Ele mantinha o olhar hipnotizante no meu, e disse: "As coisas não são as mesmas sem você. Eu não sou o mesmo. Acho que eu na verdade te subestimei. E eu tentei não voltar para você, eu imagino que tenha te machucado... Mas eu simplesmente não resisti, eu precisava... e ainda preciso de você."
Eu parei de prestar atenção nessa hora, pelo menos no que ele dizia. Observei aquela face que eu tanto adoro, aquele pescoço forte, aquelas bochechas brancas, aquela boca vermelha... Avancei por cima da mesa e fui de encontro a eles, o beijei com toda a força que eu tinha, toda a vontade, matando a saudade que eu aprisionei em mim por todos aqueles seis meses. Provei daquela boca, me aproveitei de tal, mordi, suguei... Fiz tudo aquilo que queria, tudo que me matava de vontade.
Então, quando finalmente larguei de seus lábios, ele rindo, disse que me amava e que queria muito que eu voltasse a ser dele. Eu só pude assentir, era imensa a felicidade que eu sentia naquele momento, eu era puro êxtase.
E, agora, quando penso nele, não me vem a imagem de seis meses atrás, mas sim aquele delicioso sorvete de morango.

Goodbye, Strangers.

terça-feira, novembro 24

Politicamente (in)correto.

Andei fazendo uma certa auto-analise e só percebi que sou tudo o que uma pessoa politicamente correta julgaria errado. Mas, então, só por causa disso eu sou uma má pessoa? Creio que não. Creio que ser politicamente correto é apenas mais uma alusão que o ser humano cisma em ter com a bendita perfeição, que nos torna tão imperfeitos...
Afinal, não é possível que exista alguém que não julgue, que só pense no próximo, que não fale pelas costas, que não minta, que não seja egoísta, que não goste de dormir, que não prefira deixar que os outros façam, que goste de dar lugar a velhinhos no ônibus... Sinceramente, atitudes altruístas são uma bela de uma merda, se você for pensar no seu lado.
Eu, particularmente, tenho vontade de estrangular um toda vez que me vêm com essa de "Eu não faço isso". Você pode ser contra, procurar não fazer, mas daí a não fazer? Não, não mesmo. E, agora mesmo, estou sendo hipócrita por dizer isso, porque a minha frase é "Eu não minto", mas falando sério, todo mundo mente, mesmo que sem querer, ou coisas bobas...
Mas, por outro lado, sou extremamente egoísta, perfeccionista e odeio, realmente odeio, que falem alguma coisa de mim, ou que me superem. E quem fala alguma coisa de mim, essa pessoa não estaria me julgando? É, eu acho que é isso mesmo. E volte e meia fazem mal uso das palavras, utilizando expressões que pouco condizem com o que sou. Quando me chamam de egoísta, tenho que admitir, mas quando me chamam de fútil, tenho que protestar.
E, então, o que é politicamente correto? Pra mim, todo mundo é politicamente incorreto, porque, por mais cliché que seja, é a verdade, ninguém é perfeito. E NÃO ADIANTA TENTAR SE ENFIAR ISSO GOELA ABAIXO, SABE POR QUÊ? Porque isso deixa as pessoas chatas.
Por isso, não devemos ter vergonha alguma de nossos defeitos. Buscar o melhor é sempre bom, mas existem coisas que não passam de utopias.

Goodbye, Strangers.

segunda-feira, novembro 16

Ser um vegetal deve ser chato.

Eu, sinceramente, tenho um balde de preconceito contra os vegetais. Não consigo compreender, como seres inanimados podem ser considerados seres vivos. Porque, convenhamos, um vegetal interage menos que a televisão nos dias de hoje. Fico besta vendo Dora, A Aventureira, o programa fica mudo por alguns segundos, essa é a fala de quem assiste. Certo que é pra criancinhas em desenvolvimento, mas quantas vezes você viu uma planta fazer isso?
E, falando sério, qual seria a graça de ser uma planta? Eu não imagino nenhuma. Fazer fotossíntese e depois se gabar, algo do tipo "Ei, estou salvando o planeta", mas, ah, é... plantas não falam! E muito menos pensam. Quanto a isso, eu não sei, mas plantas tem cérebro? Não, acho que não.
Então como podem estar na mesma qualificação que nós, seres humanos e animais totalmente animados como o meu gato que acha que a minha mesa de computador é um playground ou então esses mosquitos que ficam nos importunando. É claro que todos esses animais são diferentes uns dos outros, têm suas limitações. MAS DAÍ A COMPARÁ-LOS COM PLANTAS? Só porque as plantas nascem, crescem, se reproduzem e morrem. Tipo, eles nascem se alguém colocar uma semente lá, eles só crescem se alguém molhá-los, e... sinceramente, sua capacidade de reprodução é bem duvidosa, e morrer eles morrem por qualquer coisa.
Veja aquela plantinha que sua mãe insiste em comprar todo mês, sempre achando que não vai matá-la. Quando a compramos, a bichinha está linda, estonteante. Dê duas semanas para que as flores caiam, sua mãe perca a paciência e desista de regá-la e ela morra. Ou então aquele cactos que você tinha na infância e acabou matando afogado.
Seus peixes são outro exemplo. MAS OS PEIXES PELO MENOS INTERAGEM! Se você colocar vários deles num aquário, vão conviver em sociedade. COLOQUE PLANTAS JUNTAS E A DIFERENÇA SERÁ NENHUMA!
Enfim, não considero plantas seres vivos. Plantas são plantas e têm uma importância brutal para o planeta, mas quanto a viver e estar vivo... bem, aí eu discordo.

Goodbye, Strangers

sexta-feira, novembro 6

Editando-se.

Bem, antes que pensem, não eu não me editei, ainda. Pois tenho planos e muitos.
Acho que cada uma dessas pequenas alterações que fazemos em nós mesmos ao longo da vida são mais do que uma forma de demonstrar atitude, são formas de arte, de colocar o que está dentro pra fora em um desenho harmonioso, em uma frase importante, em um pequeno símbolo... São também formas de nos ilustrar, colorir, modificar.
Assim como nós costumizamos as roupas, as paredes, os cadernos, as folhas, a caligrafia, o armário, os assessórios; modificamos também aquilo que tudo isso cobre, aquilo que nos veste em tempo integral.
Gosto de pensar que tais modificações podem se tornar características marcantes e podem vir a calhar bem com você, melhor mesmo do que o original.
Então, nós saímos com o modelo de fábrica, assim do jeitinho que somos. Com o tempo, vamos ficando meio gastos, e esses detalhes podem, ou não, exigir alguns consertos. Mas, como o traje é seu, você faz o que quiser com ele.

Goodbye, Strangers.

terça-feira, outubro 27

Cadarços e garras.

Não sei ao certo o que postar, mas acho que devido a esses milhões de meses ausente, qualquer coisa já bastaria.
Resolvo então escrever algo sobre Joe, meu novo gato.
Primeira coisa que precisam saber sobre Joe: ele é a coisa mais linda desse mundo.
Segunda coisa que precisam saber sobre Joe: ele é o capeta!
Eu andei pensando e cheguei à conclusão de que ele merecia um nome mais endiabrado. Joe é algo tão inofensivo, sem contar que lembra o Joe Jonas. Todavia, meu gato só atende mesmo pelo apelido, Joey, o que lembras Joey Tribiani, com quem ele tem mais a ver.
Bem, há... uma semana - eu acho - minha mãe chegou em casa contando de um gato lindo que ela tinha visto para adoção. Eu, logicamente, surtei, há tanto tempo que eu queria um novo gatinho. Nada contra Mel e Marie, mas elas já estavam velhas e chatas, essa casa precisava de algo novo, algo vivo. Pois então eu me arrumei e fui com eles atrás do tal gato. Chegando lá eu vejo Joe, a coisa mais perfeita desse planeta, ele é lindo, parece um tigre misturado com uma onça, só que em tamanho miniatura.
Adaptá-lo às gatas foi - e ainda é - bem difícil, elas se sentiram extremamente ultrajadas com a possibilidade de outro gato tomando o lugar delas. Mas nós sabemos que nenhum gato substitui o outro, porém, eles não sabem disso.
Esses dias mesmos Marie achou que era Nazaré e empurrou Joe escada abaixo, e ele, como gato esperto que é, só caiu por quatro degraus, então eu o resgatei. Joe já tinha um certo medo de escada antes, agora então...
Algo que me irrita profundamente nele é de onde ele tira tanta energia. O gato passa o dia todo ligado no 220w. Ele me escala, me morde, me ataca e não é só comigo, é com qualquer um que chegue perto dele. Isso sem contar objetos inanimados. Tenho pra mim que meu quarto deve ser similar a um playground pra ele, já que me meu material escolar fica espalhado pelo chão e milhões de fios ficam pendurados, a quem. Para conseguir dormir, tenho que fechar a porta do meu quarto com ele do lado de fora, porque além de se atracar com todas essas coisas, ele insiste em subir em cima de mim e ficar miando na minha orelha - juro, na minha orelha. Joe tem sérios problemas de egocentrismo, se ele não for o centro e você não estiver prestando total atenção nele, não está bom. Daí surgem aquele miados, arranhões e eventualmente um gato escalando sua calça.
Mas, por mais que ele tenha bicho carpinteiro, é um gatinho super amoroso, sério. Afinal, que gato nessa vida é completamente são? Pelo menos na minha casa, nenhum. O que importa mesmo é o amor que eles são capazes de sentir pelo dono, e quanto a isso, não reclamo de nenhum dos meus gatos.

Goodbye, Strangers.

terça-feira, agosto 11

Busca por razão, por sentido.

Estou passando por uma fase terrível, perdi minha inspiração, ou vontade de escrever. Volte e meia algumas ideias me vêm à cabeça, escrever sobre alguém que eu amo e nem nunca deixei perceber, escrever sobre o dia, escrever sobre como eu admiro algumas simples coisas. Mas... nada disso me motiva mais.
Hoje tudo em que eu consigo pensar são músicas românticas que me lembram de alguém, a emoção mais forte que tenho sentido é chorar ao ouvir Hey There Delilah
por causa de tudo que ele diz, de como ele estava apaixonado, de como lidava com a distância. Bem, e o que eu devo fazer? Já que não tenho dinheiro pra avião, nem pra trens, nem tenho um carro e se saísse por aí andando mataria meio mundo de preocupação. E tudo que eu quero é que tivesse aproveitado mais algumas coisas no passado, seja esse recente ou bem antigo... é como se eu tivesse desperdiçado tantas boas oportunidades. E o tempo não vai voltar.
E eu não consigo ficar muito mais do que uns dez minutos triste em relação a isso. Eu me acomodei. Mas também, não há como não me acomodar. Não faço o estilo rebelde que luta pelo que quer, faço o estilo que se acostuma, que sofre calada. Acredite quando digo que não estou triste, não estou. Já estive muito mais triste antes...
Mas tudo perdeu a graça. Ouvir as minhas músicas preferidas não me dão
uma sensação tão gostosa de... de um tipo de conforto por amor, no lugar disso eu sinto uma saudade, um aperto. Fotos não me alegram tanto quanto antes, e eu nem sei qual é o motivo disso. Não sinto vontade de escrever porque não vai ser para quem eu quero que leia. Eu só sinto falta, falta... As coisas não têm o mesmo gosto, as coisas estão mudadas, por mais que eu tente me enganar dizendo que não... Mas eu sei que estão, e que nada vai voltar a ser como antes, eu nunca mais vou poder abraçá-lo como antes.
E além disso, sinto falta dos meus amigos. Não os vejo há tanto tempo, preciso deles para me sentir melhor. MSN não supre mais minhas vontades, nem orkut. Quero logo voltar a estudar, a ver pessoas todos os dias, a panhar sol no recreio, a rir com meus amigos, a falar de meninos, a comentar sobre as meninas com meus amigos... Nossa, é como se eu não... pf, não fosse eu. Como se não me bastasse ser arrancada dele, ainda me afastaram de meus amigos por um longo tempo.
Em toda a minha vida eu nunca tive tanto anseio de fugir pra algum outro lugar. É como se tudo me entediasse. Até mesmo as coisas que eu mais gosto. "Sem você, não tem graça" nunca levei isso tão a sério. Agora acho que sei o que quem escreveu isso queria dizer. E todas as músicas que mencionam uma fuga com a pessoa a quem você ama, Deus, eu realmente sei o que aquelas pessoas querem
dizer. Às vezes é preciso mudar de ares. Mas no meu caso, eu mudei e quero de volta. Mas ao mesmo tempo tenho umas vontades loucas de sair por aí, sem algum rumo e voltar tarde... Mas, pra onde eu iria? Não posso simplesmente sair pelo portão e pronto, preciso de um destino.
Ah, só estou falando coisas que não fazem mais sentido agora, mas eu estou procurando por este, um sentido, uma razão... algo que me anime, me faça pular de alegria, me faça sorrir sem parar, me faça ser como antes.
De verdade, não sei o que fazer, não sei o que escrever, não sei...


Goodbye, Strangers.

quinta-feira, julho 23

Viva e deixe morrer.

Sabe, eu nunca parei pra refletir sobre o que isso realmente queria dizer. Até ontem à noite.
E eu cheguei a conclusão de que essa frase quer dizer nada mais nada menos que morrer é parte da vida.
Porque, bem, se você viver tudo o que tem pra viver, se arriscar e errar, arriscar e acertar. Se provar um pouco de ódio, raiva, ira, mas também sentir os prazeres do amor, da paixão, da aleg
ria. Se você se der o direito de tentar, mas preferir hesitar e remoer o que deixou de fazer, se você fizer de tudo, mesmo sem ter pulado de para-quedas, ou andado nu pela rua. Não importa se você viveu as maiores e mais loucas aventuras ou se foi só mais uma pessoa normal no mundo... Um dia vai ter vivido o suficiente.
É claro que algumas pessoas precisam viver muito mais que outras, pois demoram mais a experimentar coisas novas e aprender a valorizar a vida. Tem gente que realmente precisa de mais tempo.
Agora aqueles que já viveram tudo que lhes estava reservado, que já tiveram seus filhos, ou que já deixaram sua semente de algum modo, bem, aqueles só precisam de uma coisa para completar a vida deles, morrer.
Porque viver pra sempre é ter uma vida incompleta.
É possível se eternizar na vida de alguns sem estar eternamente vivo. Um momento apenas pode fazer toda a diferença. E depois de ficar eterno em algumas vidas, bem, depois disso, deixe morrer, pois é só o que lhe falta.

Goodbye, Strangers.

sexta-feira, julho 17

Que seja.

Bem, vai fazer anos que eu não tomo vergonha na cara e posto alguma coisa aqui. E a minha última postagem foi um tanto quanto, bem, tensa.
Depois daquilo as coisas voltaram a caminhar em paz. É claro que sempre fica uma lembrança não muito boa, volte e meia surgem alguns comentários sobre o ocorrido. Mas eu decidi não ligar. Afinal, brigas fazem parte da nossa vida, nos ajudam a aprender, a crescer junto, a perdoar e a identificar os próprios erros.
Brigar com ele me faz, bem, pode parece
r estranho, mas brigar com ele só me faz perceber o quão essencial ele é e o quanto eu o amo. Algumas de nossas brigas têm o incrível poder de me deixar pra baixo, de me fazer abrir o berreiro; outras me fazem odiá-lo por alguns segundos; e algumas me fazem rir de como somos abestalhados e bobos; outras me deixam tensa, com medo, mas ainda assim calma; e depois de todas essas nossas brigas, eu só consigo amá-lo cada vez mais.
Então, bom; que seja.

Goodbye, Strangers.

sexta-feira, julho 10

Desculpa não adianta.

Quando eu era pequena e fazia algo de errado, meus pais ficavam bravos, e sempre me ensinaram que pedir desculpas não adiantava, por mais que você devesse pedir por educação. Pedir desculpas não apaga o que você fez de errado, não faz com que se sinta melhor, muito menos a pessoa a quem você magoou, pedir desculpas não adianta, e eu sei disso.
Mas se eu sei que não adianta e que não vou ser perdoada por meu egoísmo em um futuro tão próximo por que eu continuo a me desculpar?
Não faço ideia.
Eu só sei que estou me sentindo mal, que perdi toda aquela alegria que estava reinando em mim há alguns minutos atrás. E tudo isso por causa de uma pessoa. Uma pessoa com quem eu nem nunca falei, mas alguém capaz de destruir a minha vida. Talvez os seres humanos não devessem conviver em grupo, já que eles só sabem se magoar. Eu hoje consegui magoar duas pessoas a quem eu amo demais e a mim mesma. Tudo isso porque tive uma estúpida crise de ciúmes egoísta. Mas até que ponto os meus ciúmes foram estúpidos e a minha atitude foi egoísta?
Porque, teoricamente, eu só fiz o que fiz em uma forma de defesa. Eu só coloquei pra fora o que eu estava sentindo, como eu estava me sentindo esquecida e desamada. E isso é egoísmo? Eu querer pelo menos uma vez não ser completamente despedaçada como eu já fui antes? Pelo menos uma vez me poupar de tanto sofrimento, de agonia, de lágrimas. Porque as coisas estavam indo tão bem e eu queria continuar a manter o meu bom humor, a minha alegria de viver... Porque eu não queria que as coisas voltassem a ser como antes, que eu voltasse a me sentir tão vazia, tão triste; eu não quero voltar a ser como antes.
Por mais que o antes talvez fosse melhor, porque ninguém conseguia chegar tão, mas tão fundo pra depois sair rasgando com a força de um foguete. Talvez antes eu me magoasse menos por não estar tão envolvida, por não gostar tanto, por não depender, por não amar. Mas o antes não existe mais, e tudo que eu não queria era voltar pra ele, de maneira pior.
Parece que ter me defendido não adiantou nada. Porque eu mesma me quebrei. Eu sei que foram todas as circunstâncias juntas que me fizeram desmoronar, mas... eu não sou a pessoa mais forte do mundo, e muito menos a melhor, eu tenho meus momentos de fraqueza, muitos eu diria. E num momento desse nenhuma das pessoas que eu precisava estava comigo, eu estava brigando com elas, estava fazendo confusão porque eu queria ser pelo menos uma vez colocada em primeiro plano na vida de ambas. E as outras, as outras não estavam aqui para me consolar, me dizer que tudo ia passar.
Talvez eu só estivesse buscando um pouco de consideração por colocá-las acima de tudo, por mais que não fosse recíproco, talvez eu só quisesse ser importante pelo menos uma vez.
O grande problema é que com toda essa minha necessidade de ser importante, todo esse meu ciúme; eu magoei as pessoas amadas. Eu fiz com que elas desistissem do que queriam por mim. Eu consegui, eu fiz alarde e eu consegui o que eu queria. Então por que eu não estou feliz?
Porque elas estão bravas e chateadas comigo, porque elas queriam muito algo e eu destruí aquilo para elas, porque eu fiz com que desistissem do que iria lhes fazer feliz só para que eu ficasse feliz. É, agora eu pareço a vilã da história.
Mas é tão errado assim querer ser a única de vez em quando? É tão errado não querer dividir a minha amiga com ela? É tão errado sentir ciúmes depois de ouvi-lo dizer que a ama e dizer que ela não ia morrer que ia ficar tudo bem? É tão errado assim eu querer ter pelo menos uma coisa que ela não tem? É tão errado?
Pode até ser que seja. A situação em si é toda errada. Eu não tenho o direito de dizer a eles o que fazer ou não. Mas eles não têm o direito de me magoar e ficar tudo como está. E bom, tudo o que eu fiz foi pedir que a minha amiga não fizesse aquilo por amor a mim. E tudo o que eu consegui foram três pessoas magoadas chorando.
Agora me responda: pedir desculpas vai fazer alguma diferença? Vai fazer com que eu me sinta menos culpada? Vai fazer com que eu fique com menos raiva deles? Vai apagar isso tudo?
Por isso que eu digo que pedir desculpas não adianta.


Goodbye, Strangers.

quarta-feira, julho 8

Me sentindo bem.

Sabe quando você simplesmente não se abala com as coisas ao seu redor? Pelo menos nada muito duradouro, apenas coisa de momento...
Sabe, por alguns instantes meus olhos podem encher d'água, a voz pode falhar e o olhar buscar o vazio, decepcionado...
Mas logo depois me enche um tremendo turbilhão de alegria, sorrisos, risadinhas... Não sei bem o que é isso, só sei que vicia. E hoje, bem, hoje eu me tornei dependente da alegria. Seria mesmo da alegria, ou de quem me proporciona a mesma?
Acho que estou viciada em tudo aquilo que me faz bem. Nas pessoas e em algumas pequenas coisas, como ouvir uma música que me faz lembrar de alguém a cada dois minutos só pra me sentir feliz e perto (de algum modo bizarro) dessa pessoa. Como ver um filme que me faz chorar só pra me sentir cheia de emoção; como ouvir as pessoas rindo ao meu redor e permanecer calada, apreciando a risada dos outros; como abraçar alguém muito forte mesmo, como se aquilo pudesse salvar a tua vida; como agradar quem lhe faz feliz; ficar falando coisas sem sentido para os outros mas com a mais perfeita lógica para você e sua amiga. São essas pequenas coisas, coisas a quem ninguém parece realmente ligar, mas são essas pequenas coisas que me movem. São essas pequenas coisas que me viciam, que se tornaram necessárias. São essas pequenas coisas que me fazem dizer "Bem, extremamente bem." Porque é exatamente assim que eu me sinto, como se nada pudesse me abalar, como se eu tivesse me encontrado.
Bom, não sei dizer até quando isso vai durar ou muito menos se eu realmente me encontrei. Mas nesse momento que eu estou vivendo agora eu achei a pessoa que mora dentro do meu corpo, e, sabe, eu fui com a cara dela.
Então por mais que o mundo ao meu redor esteja caótico e com tudo desarrumado e fora do lugar, pelo menos fora do lugar com o qual eu estava acostumada, eu estou no meu lugar. Portanto, não faz muita se diferença se as coisas estão certas ou erradas, se eu preferia antes ou agora, se era mais fácil não amar, pelo menos não de verdade, ou se as coisas antes pareciam menos complicadas.
Tudo isso porque eu estou me sentindo bem comigo mesma. Estou feliz.

Goodbye, Strangers.

quinta-feira, julho 2

Abraços, abraços grátis.

Pra mim não existe coisa melhor, se existe, eu ainda não provei.
Verdade que eu não sou uma pessoa que já provou muitas coisas, mas não consigo imaginar algo mais acolhedor que um abraço.
Os abraços me resolvem todos os problemas. Quando eu estou com dor, peço um abraço; quando estou com frio, peço outro; quando estou com calor, idem; quando estou cansada, também. Enfim, pra mim, qualquer coisa tem sido motivo pra sair agarrando um dos meus amigos. Acho que isso se deve mais a minha carência, ou ao fato de eu amar abraçar quem eu gosto.
Talvez seja o conjunto que é um abraço. Tocar, eu nunca toco meus amigos, mas eu gosto muito mesmo de contato físico, então, o abraço me permite isso. Eu posso enfiar a minha cabeça no ombro deles e... e enfiar a cabeça no ombro deles. Acho muito perfeito esse lugar pra se apoiar a cabeça, é confortável, é gostoso. Sentir o cheiro. Não que eu seja uma pessoa muito ligada a isso, mas de vez em quando eu gosto de cheirá-los, senti-los com um dos sentidos diferentes. Posso apertá-los contra mim. É extremamente reconfortante se agarrar a alguma coisa, principalmente se essa coisa for animada. Por isso sempre que tenho a oportunidade me agarro fortemente a eles, e não desgrudo. Talvez algumas pessoas se sintam invadidas, eu me sinto invadindo-as; mas outras já me confessaram que meu abraço é um dos melhores.
E existe prova melhor de amizade, ou simplesmente de amor (qualquer um deles) do que um abraço verdadeiro, apertado, que te deixa sem ar. Ou então aquele que dura muito tempo, o tempo em que as pessoas estão juntas, mais solto, mas ainda assim próximo.
Não pra mim.
Por isso estou sempre agarrada em um dos meus amigos. As pessoas podem julgar isso feio, ou estranho. Mas eu não estou ligando. Estou distribuindo meus abraços para o mundo, quem quiser um, que pegue.

Goodbye, Strangers.

domingo, junho 28

Perguntas.

Eu busco minha inspiração nas mais diversas, coisas. Dessa vez eu a consegui em um comercial do Canal Futura. Eu costumava assistir a esse canal antes de tirarem-no da programação de TV aberta. Era bem educativo, eu aprendia muito. Pois bem, o comercial fala que o que move o mundo não são as respostas, são as perguntas. E se pararmos para refletir, isso é a mais pura verdade.
Tudo o que nos cerca, tudo o que nos faz pensar, tudo que nos faz viver são as perguntas. Se todos tivéssemos respostas para tudo, ninguém precisaria ler, ver televisão, amar, sofrer, ter amigos, discutir, perguntar.
O que seria da vida sem as perguntas? O que seria da nossa infância? Já que esta está praticamente toda baseada em perguntas. Seja uma pergunta besta sobre o significado de uma palavra ou algo mais complexo como o dia em que cada um de nós deve nascer, por que o céu é azul... Já descobrimos que ele é azul porque reflete o mar. Mas e o dia em que nascemos? Somos nós que escolhemos, Deus? Ou simplesmente o destino de cada um de nós está realmente "escrito nas estrelas"? Existe destino ou a vida é um conjunto de coincidências? Cada um acredita no que quer, criam-se outras teorias, e tudo pode ser como lhe convém. Mas e a verdade? Alguém realmente a conhece, domina, alguém realmente sabe?
Todos passam então a buscar respostas, não sobre isso, mas sobre tudo. Com o tempo surgem várias, algumas mais prováveis que as outras, mas há sempre mais de uma opção. Opções que só nos deixam mais questões a serem resolvidas. E buscamos respostas.
Agora me diga: e se as respostas já estivessem ali?
Se as respostas já estivessem ali não haveria razão, motivo, não haveria vida.
Um dia, essas dúvidas que nós temos agora já terão sido resolvidas. Mas sempre existirão outras perguntas, outras respostas a serem procuradas. Sempre existirá algo que nos impulsiona, sempre existirá um por quê. Por mais que esse demore a ser encontrado.

Goodbye, Strangers.

terça-feira, junho 23

O amor não é cego, ele vê até demais.

Acho que ele enxerga tão bem que acaba realçando demais as qualidades, de maneira que os defeitos se tornam imperceptíveis, não-importantes.
Lógico que em alguns momentos eles parecem ser tudo que a pessoa tem, e daí vocês começam a brigar, brigar eternamente. Mas logo depois fazem as pazes e simplesmente esquecem dos tais defeitos que antes de atormentavam tanto, elas somem ao ouvir aquelas três palavras, o clássico "Eu amo você."
Por que eu ainda não descobri. Mas eu sei que parece mágica. Certo, é mágica.
E as pessoas dizem que o amor é cego. Como ele seria cego, se vemos aquela pessoa que amamos como o ícone de nossa felicidade, como uma caixa com as melhores qualidades? Acho que o amor em si apenas abre nossos olhos para as coisas boas, abre os nossos olhos para o que nós queremos realmente ver.

Goodbye, Strangers.

domingo, junho 21

Dúvidas.

Todos, mesmo aqueles que se dizem sábios e acima do céu e da terra, temos. Algumas dúvidas são simples, que podemos resolver com uma pergunta. Outras dúvidas nos atormentam o tempo todo, dúvidas que ninguém além de nós mesmos podemos tirar, visto que são dúvidas sobre o futuro.
Talvez não seja nem uma dúvida e, sim, um certo medo. Afinal, todos nós temos medo. Medo do incerto, medo de altura, medo do escuro.
Acho que o medo seria um dos maiores motivos na vida. Até mesmo quando nos apaixonamos, o medo está presente. Medo de perder alguém, medo de não ser bom o suficiente. E quando a pessoa já lhe provou tudo isso, você se sente protegido. Mas protegido de que, exatamente? Do mundo.
As pessoas têm medo do mundo. E talvez algumas sejam tão loucas e desinibidas porque são do tipo que vence o medo. Há outras que se escondem do medo, fogem dele.
Eu diria que fico junto com a massa, em um meio termo. Nem vou correndo enfrentá-lo, nem fico correndo na direção oposta. É certo que não fico parada, esperando que ele chegue mais perto, até que eu seja obrigada. Eu tento me esconder, mas mais cedo ou mais tarde eu desisto e resolvo encarar. Daí eu só desabo, pioro.
Mas faz bem, me ensina coisas. Eu não fico mais amedrontada como antes, receosa, sim. Mas nada que não faça parte de aprender a ser gente.

Goodbye, Strangers.

sexta-feira, junho 19

Ódio.

Quatro letrinhas que podem acabar com o dia de alguém, a semana, o ano, às vezes até a vida.
Não, no momento eu não estou possessa nem nada do gênero. Estou indignada, mas isso não tem nada a ver com o texto.
Certo, agora eu me odeio por não fazer ideia de sobre o que escrever, mas eu preciso.
Acho que vou tentar voltar com o tópico do ódio, de como ele pode fazer a diferença.
Diferentemente do que as pessoas dizem, eu não acho que o ódio faz tanto mal a quem o sente, certo que não é bom. Mas deve ser muito pior saber que uma pessoa deseja com todas as forças dela que você se foda sem que você tenha feito nada de mais a ela, bom, pelo menos não que você saiba.
Acho que esse é um dos problemas das pessoas amarem alguém
platônica e desesperadamente, e o pior, em silêncio. Você passa a odiar qualquer um que se aproxime, qualquer um que roube o lugar que é seu por direito, por mais que seja só em sua mente, nos seus sonhos mais íntimos.
Isso me lembra do ano passado. Eu odiei pessoas que nem nunca falaram comigo, nunca me ofenderam nem me deram um motivo ordinário que fosse para odiá-las. Mas eu odiei. Certo, talvez na minha cabeça elas tenham me dado motivos ordinários, motivos sérios. Eu era meio louca.
E, sabe, voltando ao começo do assunto, odiá-la me fez mal, sim. Porque além de amar um loucamente, eu tinha que me preocupar em odiar com todas as forças os que se aproximavam. Com o tempo, eu acabei transformando aquela obsessão que eu sentia, porque amor não era, em um certo ódio dele. Ódio por ele não me "amar" como deveria, ódio por ele nem ligar pra minha existência.
Estranho pensar que eu odiei várias pessoas sem elas terem me feito nada, que eu odiei várias pessoas sem elas nem saberem, pessoas com quem eu nem trocava palavras.
E no final de tanto ódio, quem estava um caco no final do ano era eu, que teve o final infeliz ali fui eu, quem teve um ano de merda fui eu.
Tudo bem que na minha história, eu deveria ser a mocinha com o final feliz. Mas e se naquele período de tempo eu fui mais é uma vaca? Porque é o que me parece. Não uma vaca. Mas se quem estivesse narrando isso tudo fosse quem eu odiei... eu seria a pessoa má, não?
E ela provavelmente estaria sofrendo horrores por ser odiada.

Acho que não existem mocinhas e vilões na vida real, existe quem conta a história, existe quem é odiado e quem odeia... Existem pessoas que ficam sofrendo em vão enquanto outras estão tendo um pouco de alegria.
Então, talvez o ódio não faça mal, nem bem. Só seja parte disso tudo.


Goodbye, Strangers.

sexta-feira, junho 5

Estado de choque.

Sabe quando você fica em estado de choque? Sem muita ação, quem dirá reação. Bom, hoje eu provei disso. Recebi uma ligação pela qual eu vinha esperando há um tempo, mas acho que pelo fato de ter sido uma surpresa, eu fiquei chocada, sem ação, despreparada para as reações que viria a ter. Eu sei que uma delas foi ficar com a boca meio caída, os olhos brilhando, eu estava feliz. Mas se eu estava tão feliz assim, por que minha voz estava tão sóbria, tão séria e fria? Não sei, talvez tenha sido o choque, a não espera, a surpresa. Talvez tenha sido porque eu tive logo uma notícia ruim no começo da ligação, talvez tenha sido porque não tive muito tempo para me acostumar com a ideia. Não sei qual foi o motivo, só sei que agora fico pensando se a primeira impressão que teve de mim, ou pelo menos do meu estado chocado, foi boa. Não sei, não sei mesmo.
Só sei que se eu soubesse, teria feito tudo diferente, teria procurado demonstrar todo esse amor que eu tenho armazenado, guardado, comprimido, implorando para sair. Teria sido algo bonitinho e não algo parado, distante e frio.
Quero ter a chance de fazer de novo, sem estar chocada, quero estar feliz e amorosa, como eu sou sempre. Não sei que impressão eu passei, estava boba e entorpecida demais para notar, torço para que tenha sido boa. Mas eu ainda continuo chocada.

Goodbye, Strangers.

quinta-feira, junho 4

Frio.

Ah, finalmente ele chegou! Foram longos meses de espera desde que começou a esquentar. É certo que o que me irrita mais é o auge do verão, quando está quente e você se vê obrigado a sair quase pelado sendo que seu calor não diminui; quando está quentinho, é agradável. Mas o meu tão querido e esperado frio chegou, ainda não é inverno, mas ele definitivamente chegou mais cedo esse ano.
O que mais me agrada do frio são as formas de afastá-lo.
Primeiro: ficar fingindo de estátua naquele sol que faz cócegas - é o meu meio preferido.
Segundo: ficar abraçando as pessoas, principalmente aquelas de quem você gosta, para trocar calor humano.
Terceiro: passar o dia todo embaixo das cobertas vendo TV.
Quarto: passar o dia inteiro debaixo das cobertas com uma outra pessoa.
Quinto: você pode beber de tudo quente, e a sensação daquilo descendo é maravilhosa.
Sexto: ficar abraçado com alguém no sol.
Sétimo: vestir trocentos e oitenta e oito casacos até perder o movimento dos braços.
Oitavo: assoprar nas mãos para esquentá-las.
Nono: poder esticar a manga do casaco sem pessoas te enchendo o saco.
Décimo: se encolher todo e deixar só os olhos de fora.
Adoro também o simples fato de estar frio, de eu poder vestir trocentas peças de roupa, fechar os olhos e senti-los gelados, ver a fumaça que sai da minha boca quando eu falo, colocar a mão dentro da roupa para esquentá-la e sentir aquele choque. Ah, eu adoro tudo no frio.
É claro que ele deixa uma enorme moleza, alguns dedos duros, o nariz ardendo. Mas eu acho que tudo isso vale a pena, nem que seja pelos três minutos em que você fica naquele sol gostoso, sem começar a suar ou a implorar por sombra e água fresca.

Goodbye, Strangers.

segunda-feira, junho 1

Tédio.

Não sou do tipo de pessoa que gostuma ficar entediada por longos períodos, normalmente qualquer coisinha boba me anima, qualquer exercício me desperta, qualquer coisa. Mas a hoje tudo em que consegui pensar foi "Que saco!". Talvez fosse a ansiedade para fazer a prova, prova na qual nem fui tão bem assim.
Não sei de onde surgiu essa palavra, tédio. Só sei que ela nos persegue frequentemente. Às vezes é uma delícia ficar no tédio, pensando em nada, simplesmente respirando. Agora, quando você precisa estar no seu estado normal, que seria alegre, ou pelo menos vivo, é difícil. Hoje tudo que eu mais precisava era ser eu, mas estava estranha de novo, estava entediada e estava carente.
Volte e meia eu sinto falta de determinadas pessoas, as que tenho aqui não me bastam. Mas acho que principalmente pelo fato de estar apaixonada, as coisas ficam mais complicadas, sem sentido, quando aquela pessoa não está perto. Bom, tenho notícias para mim mesma, ele quase nunca vai estar perto.
Talvez tenha estado tão cansada porque não dormi bem, porque o principal assunto do dia era um saco. Mas não era só isso, eu me senti meio jogada, a quem.
Sinceramente, eu não sei. Só sei que odeio o tédio. Ele me contagia de tal forma que eu mesma me irrito. Daí prefiro calar, fingir de morta.

Goodbye, Strangers.

sábado, maio 30

Estranho.

Às vezes eu fico assim, estranha. Sem maiores motivos, causas, eu simplesmente fico estranha, não consigo mais sorrir, nem mesmo ficar triste; fico estranha.
Eu normalmente sou estranha, mas um estranho normal, em termos de personalidade. Agora, hoje, isso é um estado estranho, sem muita descrição, é um vazio, um olhar perdido, vontade. Não sei bem o que é, como é. É algo com o qual não estou acostumada. Não sei como descrever, sei o que causou isso, mas não vou citar, não é do meu feitio ficar estranha por um motivo tão fútil. Ah, essa maldita pressão. O motivo não foi esse que estou pensando, foi a pressão.
Então eu posso dizer que não me sinto bem sendo pressionada a fazer algo que não quero, me sinto mal por não fazer, mal por não querer fazer, me sinto vazia por não ter feito.
Estou estranha, sou uma pessoa diferente, alguém que eu não conhecia.

Goodbye, Strangers.

quarta-feira, maio 27

Segredos.

Fazem parte da vida, quase ninguém é capaz de guardá-los, e nós temos necessidade de contá-los para alguém.
Segredos são coisas das quais nos envergonhamos de ter feito, coisas que não queremos que o mundo venha a descobrir, por isso chamamos de segredos.
Mas já que ninguém pode saber deles, por que essa tara toda em contá-los para seu melhor amigo ou para o primeiro que passa? Não sei, mas acho que não nascemos para ter segredos, quanto menos guardá-los. Me ensinaram que só se conta algo sigiloso para mais de uma pessoa ao mesmo tempo, porque assim elas podem debater sobre o assunto, sem que a notícia de espalhe e elas perdem a vontade de sair contando para meio mundo. Mas e se só tiver uma pessoa a quem contar? Bom, então seu segredo estará na capa do jornal do dia seguinte. Não necessariamente.
Acho que segredos são mais coisas íntimas do que coisas erradas. Coisas que queremos que pelo menos uma pessoa saiba, para que possamos conversar, e se essa pessoa for alguém em que você confie, melhor ainda. Então, por que temos tantos tabus em relação a segredos?
Segredos são só algumas verdades que não precisam ser ditas, coisas que não interessam ao mundo todo, mas só àqueles que te cercam; segredos são parte de você. Então, por que escondemos tanto?

Goodbye, Strangers.

terça-feira, maio 26

Pressão.

Em todos os momentos da nossa vida estamos pressionado a fazer alguma coisa, já reparou? Na maioria das vezes, estamos pressionados a acertar ou errar. Mas o post de hoje não é sobre isso, esse foi o último post. O de hoje é apenas sobre pressão. Sobre a pressão que é viver.
Não tinha nada preparado, nada pensado, por isso vai ser algo pequeno.

Pressão.
A todo momento eu vejo um certo tipo de pressão pairando no ar, uma certa obrigação, uma vontade reprimida ou uma falta de vontade reprimida. Seja ela exercida pelos amigos, pais, escola, nós mesmos; estamos sempre sob pressão. É como se a nossa cabeça fosse explodir a cada mudança de opinião, cada olhada torta que recebemos, cada decepção.
Estamos sempre tentados a fazer algo, e a fazer certo, nós queremos mesmo é agradar. Por mais que para agradar tenhamos que errar, que mentir, ou fazer de uma mentira uma verdade.
Acho que o meio onde há mais pressão é o dos amigos, a escola. Na escola, temos sempre que tirar boas notas, ou manter as notas ruins para não se tornar um nerd. Temos sempre que seguir o padrão, se for diferente, tem que seguir o padrão dos diferentes; se não quiser, você está fora. Então, há uma pressão gigante para que sejamos algo diferente da realidade, as pessoas não são iguais e classificadas pro grupos, elas são todas diferentes, mas isso não faz impossível a convivência entre elas. Há a pressão para que você seja "legal", ou o que as pessoas consideram legal. Para isso, você deixa de sair com seus amigos, aqueles com quem se diverte, porque eles "queimariam seu filme". Que importa isso? É tudo pura pressão.
Eu me sinto pressionada a fazer algo 24 horas por dia. É estressante, é contínuo. Meu problema é com relacionamentos, ou eu entro, ou estou fora. Não consigo achar um meio termo, uma certa paz para minha cabeça. E entrar em um relacionamento só rende mais e mais pressão. Estar fora de um pode ser pior, a pressão é para que esteja em um.
Estamos todos em uma panela de pressão.

Goodbye, Strangers.

domingo, maio 24

Certo e errado.

Alguém aí pode me dizer a diferença entre essas duas coisas?
Seria ótimo, porque eu não sei diferenciar uma da outra e nem sei o que é realmente melhor. Afinal, dizem que quando algo é errado, a sensação é tão melhor. Talvez seja melhor, sim, mas na hora. Depois, quando você já voltou a si e tem um tempo para pensar no que anda fazendo da sua vida e nas consequências que isso vai ter... Bom, quando essa hora chega, você vê que o errado só deixa as coisas piores, as coisas mais difíceis e complicadas. Mas seria mesmo o melhor abrir mão de tudo isso só porque você julga errado? Seria mesmo o melhor a se fazer? Eu não sei, eu prefiro deixar tudo como está, quieto, um pouco perturbador.
Eu sei que pode ser que daqui a algum tempo eu esteja me lamuriando pelos cantos, reclamando da vida e achando tudo uma boa merda. Mas pode ser também que dessa vez eu reaja diferente, que eu esteja mais madura e capaz de arcar com as consequências. Afinal, eu sabia de tudo isso quando entrei nesse rolo todo, eu sabia que não ia terminar bem para mim; nunca termina.
Não vou pedir para ele fazer algo que não queira, isso não é algo que eu faça. Se ele quisesse fazer isso, já teria feito. E eu, bem lá no fundo, sei qual é a preferência dele, eu sei que é ela. Eu só não entendo essa necessidade toda, já que ele a ama tanto assim, fique com ela e ponto. E se eu estiver errada e a preferência for eu, bom, para que ele precisaria de duas? Para que magoar duas pessoas. Com isso, eu concluo que a preferência é ela... bem lá no fundo eu sei que é.
Bem lá no fundo eu também sei que estou fazendo besteira, mas isso é errado? Faz algo que não é bonito por alguém que eu amo? Ou pelo menos eu acho que amo. Se eu estou disposta a fazer coisas por uma pessoa, eu suponho que a ame. Não sou do tipo que se influencia fácil, tenho minha opinião e nada a muda. E nesse caso, eu mudei de opinião, não sei se pela pressão de toda essa "concorrência", ou por estar realmente apaixonada, meio cegueta.
Dizem que quando se apaixona se perde a noção, se faz loucuras. Não sei se faço loucuras, mas eu perco a noção.
E agora, quando eu estou sozinha, eu fico pensando nessa situação toda, buscando uma razão, um sentido. Mas eu só consigo me preocupar, eu só consigo pensar no certo e no errado. Mas eu nem sei o que seria certo e errado nessa situação. Fico me perguntando se realmente existe errado, já que tudo que se passa nessa vida está escrito nas estrelas, ou simplesmente tem que acontecer. Mas então seria tudo certo? Certo e errado realmente existem ou são algo que nós inventamos para podermos sentir, ou não, culpa? Estou acreditando mais na segunda opção.
Afinal, tudo está mudando, constantemente, tudo está em movimento, rotação. O mundo está girando. Numa dessas voltas, o certo troca de lugar com o errado e a desgraça vira virtude, ou você percebe que a virtude é uma bela de uma bosta. Então, já que tudo está em mudança constantemente, inclusive nossa mente e opinião, há lugar para certo e errado?

Goodbye, Strangers.

quinta-feira, maio 21

Pessoas se tornaram descartáveis.

Eu fico observando quieta a maneira como as pessoas falam de outras pessoas. Principalmente em pequenos relacionamentos, de todos os tipos. Parece que hoje o que importa mesmo é a quantidade no lugar da qualidade. Não importa se você tem bons amigos se tiver vários, e se algum dia você enjoar deles, ótimo, você joga aqueles fora e compra novos. Não se compra pessoas, ou se joga fora.
Em relação a amigos, isso acontece menos, as pessoas estão mais interessadas em falar quem têm milhões de amigos, mesmo que não saibam da vida de um terço deles. O pior são os namorados. Cada semana eu vejo aquelas mesmas pessoas com pessoas diferentes. E aquelas outras em quem andavam enfiando a língua semana passada já não significam nada. Isso não deveria ser assim. As pessoas deveriam guardar seus sentimentos e elas mesmas para alguém de quem elas realmente gostem, não para o primeiro que aparecer só porque estão carentes. Me entristece muito ver esse tipo de coisa, entristece não, me decepciona. Me deixa completamente decepcionada com a nossa juventude de hoje, porque nós não somos o futuro, somos o agora. E o agora é isso? É essa coisa libertina, onde ninguém é de ninguém, onde ninguém liga para ninguém, onde as pessoas são objetos que se usa vez sim e vez não.
Pessoas não são brinquedos que se doa quando fica grande demais para eles. Pessoas são partes da sua vida, elementos que você permitiu que entrassem ou se convidaram e tornaram-se necessários. São também tudo que nos cerca, invisíveis a alguns, importantes a outros; assim, parte. Não objetos, ou sei lá como considerar o modo como são tratadas hoje.
O que mais irrita é que todos aceitam isso como se fosse normal. Como se fosse algo bom. Quantas vezes eu já ouvi "beijo bom é quando se gosta da pessoa". Então por que diabos beijar alguém que você não gosta? E depois agir como se nada tivesse acontecido. Isso é casualidade? Não chamo assim, pra mim é um desperdício de amor, de emoções, de essência do ser humano. É um desperdício de tudo, é uma maneira de não dar a mínima para o que você é.
Não e chame de antiquada, eu sei que sou. Mas se a modernidade é essa coisa transviada, errada, eu acho que prefiro os tempo antigos. Onde as pessoas realmente amavam antes de dizer isso para todos, onde as pessoas se importavam com quem estavam, onde sabiam com quem estavam, onde pessoas não eram colecionadas como figurinhas, onde se tinha poucos amores, mas verdadeiros.

Goodbye, Strangers.

terça-feira, maio 19

Roda Gigante.

Essa é a definição da nossa vida. Cheia de altos e baixos, diversão, perdas, tristezas e alegrias.
Não importa quem você é, o que você faz. Sua vida será sempre uma roda gigante, é necessário que as coisas mudem de vez em quando, é necessário sofrer e é necessário sorrir.
O mais estranho é que ora você está no topo, ora você está lá em baixo. Mas o pior é quando se está à meia altura, quando tudo parece normal e nada lhe afeta... É um momento para se refletir do que aconteceu no topo, é quando se desce de novo. A subida não se percebe, porque acontece muito rápido, eu suponho, assim como tudo nessa vida, você pisca e as coisas estão de um jeito, no segundo seguinte se vê perdida em um mundo estranho a qual tem que se acostumar. Normalmente quando se sobe, tudo o que se quer é chegar nesse mundo diferente, tudo o que se quer é ser o melhor de si outra vez, tudo que se quer é estar no topo.
Então, será que a vida é apenas isso? Altos, baixos, paradas para observar a noite e beijar, torpor e tudo de novo. Não, a vida é muito mais. A vida é o sentido. Essas coisas, apenas dão um curso a ela... Mas o colorido, a graça, a vivacidade e o final, somos nós, os protagonistas, que decidimos, que fazemos.
Goodbye, Strangers.

segunda-feira, maio 18

Borboletas voam ao meu redor.

Pode parecer estúpido, mas a melhor parte do meu dia é quando eu chego, ou saio, em casa e aquelas doces e coloridas borboletas ficam fazendo cambalhotas ao meu redor. São voos rasantes ou simples batidas de asas, ou o humilde ato de flutuar; tudo naquelas criaturas de vida curta me encanta. A liberdade, a simplicidade. Em pensar que elas eram apenas lagartas, bichinhos que muitos de nós julgariam nojentos, parasitas... Em pensar que um insetinho tão insignificante se tornaria em toda aquela magnificência que deixa todos nós, humanos, tão importantes, com inveja; inveja de toda aquela liberdade, de toda aquela beleza e inveja das asas.
Observo também os pássaros, o vento batendo em suas asas que vão diminuindo a velocidade com o qual planam, eles chegam ao chão delicadamente, sem peso, sem baque. Criaturas feitas para voar. Quando um ser humano pula, logo que seus pés tocam o chão se ouve um barulho, se sente um baque. Logicamente porque o ser humano não foi feito para voar, não foi feito para as alturas. Por mais que tentemos com a nossa gasolina e motores, nunca conseguiremos a leveza, a perfeição dos pássaros, das borboletas.
Bichinhos que nenhum de nós dá o valor necessário. Bichos que tentamos matar o aprisionar em um vidrinho, ou gaiola. As pessoas querem o que é bonito para elas, para que possam ver o tempo todo; não aceitam ver tal beleza presa em seu próprio contexto, onde pertence, onde se torna mais bonita, onde é legítimo.
As borboletas e os pássaros me encantam enquanto estão voando desvairada ou graciosamente ao meu redor, ou perto. Não importa. O bonito é vê-los livres, algo que deram a eles e não a nós. Pra mim, é relaxante, revitalizante ver aquelas pequenas e frágeis criaturas se aventurando pelo mundo, pousando em uma flor, ou em um galho. Gosto de vê-las em seus voos sinuosos, brincando umas com as outras, gosto de ver como fogem de predadores. Gosto de ver as coisas andando como deveriam de andar.

Goodbye, Strangers.

quinta-feira, maio 14

Mudanças são necessárias.

É difícil para mim dizer algo assim, eu odeio mudanças. Na verdade, odeio qualquer coisa que me faça sair da rotina, odeio qualquer coisa que me faça ter que... mudar.
Mas agora eu ando vendo um lado bastante positivo nas mudanças. Elas são boas para que possamos aprender a viver. Eu acho que nunca passei por tantas mudanças tão rápido assim, é um tratamento de choque. Porque hoje eu estava pensando, se a minha amiga não tivesse se mudado, ainda seríamos a mesma coisa, eu não teria conhecido a Yvilla nem os outros amigos que eu fiz esse ano... Não que eles de alguma maneira possam substituí-la. Mas isso fez com que eu me desse conta de que ninguém vive sozinho, ou com só mais uma pessoa de companhia. É certo que não se pode ter milhões e milhões de amigos, mas também não se pode ter só um. O ser humano foi feito para conviver em sociedade, por mais que alguns reneguem isso, nós precisamos uns dos outros.
E precisamos também das mudanças. Na verdade, respirar já é uma certa mudança, da mesma maneira que crescer é.
Mudar os ares, expandir seus horizontes, tudo isso faz parte da vida e com essas coisas vêm as mudanças. Essas que podem ser boas ou ruins, depende da maneira como as encara.
Tem gente, que como eu, faz uma tempestade em um copo d'água, transforma algo que seria fácil em algo insuportável, inadmissível. Quando na verdade é apenas uma nova oportunidade, uma segunda chance.
Eu acredito quando dizem que Deus escreve certo por linhas tortas... Afinal, de um modo ou de outro, algo bom na vida de alguém tem que acontecer, nem que para isso coisas ruins aconteçam. Mas para perceber o bom, é preciso que coisas ruins te aconteçam... Nós já negligenciamos as melhores coisas o tempo todo pelo simples fato de elas serem frequentes, imagine o que faríamos com as que acontecem de vez em quando. Se muitas coisas ruins acontecem na sua vida, isso só quer dizer que ela é maravilhosa, para que você possa perceber isso.
Mudanças podem assustar um pouco logo de cara, mas são necessárias para que sua vida siga em frente.

Goodbye, Strangers.

quarta-feira, maio 13

Saudades.

Confesso que não sou do tipo de pessoa que realmente sente saudades. Eu sinto um pouco de falta, um desconforto. Mas, saudades, isso não é meu forte.
Mas ultimamente eu tenho sentido bastante saudades. Não sei se é saudades se quando você não vê as pessoas com quem queria falar online e dá vontade de sair, mas é o mais próximo que eu já tive. Sou bem estranha em relação a isso de saudades, é como se as pessoas para mim fossem indiferentes. Bom, pelo menos era assim. Eu ficava bestificada quando meus pais diziam que tinha sentido minha falta em um final de semana, coisa que eu não sinto. "Desde que tenha comida e papel higiênico em casa; eu é que não tô nem aí." Eu costumava pensar assim, mas não tem sido desse jeito. Não, continuo sem sentir saudades dos meus pais, mas tem tempo que eu não fico fora de casa...
Eu sinto mesmo saudades daquelas pessoas que eu gosto e com quem eu não consigo falar, tenho desencontrado. Eu realmente quero ver essas pessoas, elas me fazem falta, a mesma falta que me faria um pedaço de mim. É ruim vir para o computador e não poder ver aquelas pessoas online, contar o meu dia ordinário... É... solitário.
Ontem mesmo eu estava discordando horrores, dizendo que o vício no computador não fazia que as pessoas ficassem individualistas e solitárias. Mas hoje, e até mesmo ontem, eu estou me sentindo assim. Nenhuma daquelas pessoas de quem eu gosto muito está disponível, e eu... eu estou solitária.
Eu sempre achei que os amigos virtuais não interfeririam na vida real... Mas, eles interferiram, e quando eu finalmente consegui conciliar as duas coisas parece que eu os perdi. Certo, eu não os perdi, mas não vê-los online me agonia. E eu estou com saudades.
Talvez eu tenha me tornado dependente deles, e quando não estão comigo falando sobre nada praticamente, me sinto só. O mais estranho é que eles me disseram que estariam aqui. Estou começando a me preocupar... E, mais uma vez, estou com saudades.
Mas a única coisa válida que há em se sentir saudades, é o alívio que você tem quando a pessoa entra.

Goodbye, Strangers.

terça-feira, maio 12

Qual é a sua palavra preferida?

Uma vez me fizeram me fizeram essa pergunta e eu não sabia a resposta, assim, na ponta da língua. Depois eu vim a descobrir que minha palavra preferida é exorbitante. Não sei se vocês já a ouviram, ou leram, que seja. Ela simplesmente é a minha palavra. Já que a única outra pessoa que eu conheço que a fala é meu pai... então é minha.
O que eu mais gosto nela é que soa como uma definição para mim. Já que exorbitância quer dizer excesso, que excede a órbita. E se eu for parar para pensar, sou assim. Eu nunca faço as coisas de menos, ou mais ou menos. Na verdade, sempre levo tudo aos extremos. Não sei se isso é bom, não. Mas não é algo que me incomode, eu gosto dos meus excessos e carências. Às vezes é bom levar tudo ao pé da letra, mesmo que fugindo um pouco da realidade, eu vivi coisas super intensas, mesmo que só na minha imaginação. Eu sofri sem nem ao menos precisar. Tudo isso pela minha mania de me fechar pro mundo. Já hoje, que eu resolvi fazer uma mudança, fui obrigada, em falta tempo pra ficar com meus amigos. Isso não é lá muito bom, porque alguns acabam ficando esquecidos, mas de outro lado é maravilhoso! É bom saber que mais de uma pessoa gosta de você de vez em quando, sabe? Afinal, nós nascemos para conviver em sociedade, caso contrário seríamos como os gaviões, os animais solitários.
Mas, eu, eu nasci para conviver. Mesmo que de forma discreta e calada, ninguém gosta de ficar sozinho, mesmo que continue a se enganar dizendo o mesmo.
Bom, acho que exorbitante também teria outro sentido para a resposta a essa pergunta. Se levar em consideração que a quantidade de palavras que eu gosto é exorbitante. Às vezes nem pelo significado, mas pela maneira como soa, ou como se escreve.
Talvez eu goste mesmo de palavras. Penso que não seríamos nada sem elas. E não seríamos nada, a não ser um bando de trogloditas balbuciando, gesticulando. As palavras nos dão liberdade, e quando usadas corretamente podem inspirar, podem abrir portas que nunca teriam sido abertas de outra maneira. Palavras são a chave para o mundo e para a vida. Como diz o ditado "quem tem boca vai a Roma." Que quer dizer nada mais nada menos que as palavras são a porta, são o caminho; mas não para Roma, são para qualquer lugar para o qual queira ir, são o caminho para você mesmo.
Eu simplesmente estou apaixonada pelas palavras, elas me fizeram ver.

Goodbye, Strangers.

segunda-feira, maio 11

Quero crer no amor numa boa.

Às vezes isso é tudo que eu preciso. Preciso me sentir especial para alguém, por mais que não seja algo verdadeiro, eu gosto de ser enganada. Na verdade, o que eu preciso mesmo é acreditar que o amor realmente existe, eu preciso manter meus pensamentos em uma pessoa, ou em várias; e mesmo que não seja amor... essa coisa é simplesmente viciante e vital para mim. Não sei se sou normal. Mas sabem o que dizem: "Love is all we need". E talvez seja mesmo. Pelo menos para mim. Seja esse o amor que eu sinto ou amor que os outros compartilham. É só eu ouvir falar de um final que feliz que fico vendo passarinhos verdes, procurando o meu próprio passarinho independentemente de cor.
E sabe, toda essa adrenalina que eu fico sentindo só por gostar de alguém, nossa é ótima, é indescritível. Acho que a maneira como eu agito os braços a falar sobre pode descrever isso melhor. É a mesma maneira de quando eu estou falando sobre algo muito empolgante, algo que me agrada horrores. Então isso pode significar que estar assim, meio abobalhada por culpa de alguém que me tira o sono e mesmo assim eu acordo de extremo bom humor (o que nunca acontece), bom, isso é simplesmente maravilhoso para mim.
Eu gosto de poder acreditar mesmo no amor, em finais felizes, em contos de fadas e em tudo isso que com o tempo eu fui deixando de acreditar. Afinal, a vida é bela, mas acima de tudo, foi feita para viver, não apenas observar. E nós, seres humanos, nascemos para amar. As outras atividades são apenas passatempos para que possamos amar de novo. É, eu vi isso num filme, e não era "amar", era "fazer amor", mas amar é mais bonito, é mais puro e imensamente mais extasiante. {Extasiante não era a palavra, mas eu esqueci enquanto respondia uma janela do MSN, janela que me deixa assim.}
O que eu quis dizer é que todos nós amamos pelo menos uma pessoa, mesmo quem tem um coração de pedra e se fecha para o mundo. O amor está presente em tudo, até mesmo no ódio.
Tudo que eu quero é acreditar nesse tal de amor romântico, sem pensar no sofrimento e na dor que as pessoas dizem que vem junto. Afinal, isso tudo compensa pelos bons momentos e os sorrisos permanentes.

Goodbye, Strangers.

domingo, maio 10

O que um dia pode render.

Para começo de conversa, meu dia me rendeu maravilhosos pensamentos. Logicamente eu não lembro de todos, não mesmo. Mas alguns me marcaram um pouco.
Um deles foi o de saber que ano que vem eu faço 16 anos, eu sei que posso estar colocando a carroça na frente dos bois, porque nem 15 eu fiz ainda. Mas, sabe, isso me deu um clique, como se fosse algo me dizendo que está na hora de começar a viver. E eu fiquei muito feliz de saber que eu estou realmente começando a fazer isso. O mês começou há duas semanas e eu saí em quase todos os finais de semana. E estou me tornando alguém mais simpático, e um pouco popular. Não que eu goste, tenho um pouco de medo. E me sinto desconfortável, não sou do tipo de menina que fala com todo mundo. Por mais que Yvilla discorde, eu nasci para o anonimato.
Outro foi o de como eu reclamo. Sempre que eu escrevo, estou criticando, reclamando, ou tentando causar um tipo de revolta. Mas às vezes, eu gosto de escrever sobre alegria, sobre amor e sobre como é bom estar apaixonada. Mas no momento, tudo que me domina é o torpor. Estou melhorando muito, ando me divertindo à beça e perdendo medos. Acho que logo, logo estarei boba e feliz outra fez.
Enquanto pensava nas minhas reclamações, resolvi pensar nem que por pouco tempo em como as coisas são bonitas e em como eu gosto de Petrópolis. Isso porque eu sempre reclamo de ter nascido aqui e não em São Paulo. Mas daí eu fui para a sacada e fiquei observando a cadeia de montanhas com os pequenos bois no topo de algumas; observei o céu claro com pequenas manchas que formavam as nuvens; observei os urubus voando no alto, os passarinhos nos fios, as árvores; parei e comecei a conversar com minha gata, que falou comigo por debaixo das flores. Eu queria ter uma câmera comigo o tempo todo para que eu pudesse fotografar toda essa beleza, guardá-la para depois. E havia tempo que eu não pensava assim, havia tempo que eu não observava o simples.
Logo de manhã, falando com minha mãe. Ela tinha brigado com meu pai, e ela estava sendo infantil. Eu disse umas coisas para ela e acho que ela entendeu. Pensei em como isso é frequente, em como é comum eu me ver no lugar de única mulher adulta mesmo; já que minha vó age como se tivesse três anos, tudo que se fala para ela é motivo para choro, o jeito como ela torce tudo. Minha mãe é adulta, fato. Mas às vezes ela é tão infantil, insensata. E, mais uma vez, torce demais as coisas. Eu sei que torço coisas para caramba. Mas, sei lá, acho que sou mais racional. Ou não. Isso não é algo que eu domine bem, mas me fez pensar.
Bom, um dia sem grandes tarefas me rende vários pensamentos, mais do que em um dia comum.

Goodbye, Strangers.

terça-feira, maio 5

Lourcura.

É certo que todos nós temos um pouco de loucos, sejam pequenas manias, algum transtorno e até mesmo distúrbio. Na verdade, ninguém é perfeitamente normal, todos temos defeitos, detalhes, detalhes que nos tornam diferentes. Seria loucura dizer que somos todos lúcidos. Afinal de contar, viver em si já é uma grande loucura, uma aventura. Quem em sã consciência viria a provar de todos os sentimentos que temos a nosso dispor, quem iria sofrer? Acho que o simples fato de todos fazermos certas coisas sem pensar antes, impulsivas, é loucura.

A minha loucura em particular pode ser confundida com egocentrismo ou narcisismo, ou qualquer outra coisa que tenha a ver com achar que o centro do mundo é seu umbigo. Mas, convenhamos que o centro do nosso mundo, realmente, é a pessoa que o vive. No meu caso, eu.
Certo, voltando ao assunto. A tal loucura da qual eu falei é uma certa mania de perseguição. É como se as pessoas estivessem roubando a minha essência. Acho que todos nós temos disso. É algo de diferente que você faz e logo outras pessoas fazem. Talvez isso seja até bom de certo modo, mas eu me sinto roubada. E para mim, tudo que eu faço vai ser roubado por alguém. Com o tempo, eu desisti de ser diferente. As pessoas precisam de criatividade. Mas, eu devo mesmo deixar de ser o que eu sou porque isso influencia os outros?

Existem também aquelas pessoas que são realmente loucas. Aquelas que levam a mania de perseguição muito a sério, aquelas que cometem desatinos, aquelas que rasgam dinheiro.
É certo que a loucura se achega com a velhice, o cérebro vai ficando cansado e começa a dar problemas. É como um aparelho velho, vai sempre dar problemas. Então, se ficarmos velhos, é quase certo que ficaremos loucos. Mas o que me deixa pensativa são aquelas pessoas que ficam loucas do nada. Deprime também. Saber que existem pessoas que não diferem o certo do errado, o que é real do que não é, que não conseguem saber onde estão, quem são. Se para nós, que somos aparentemente normais e lúcidos é difícil, para as mentes estragadas, vencidas, perdidas, deve ser muito pior. Entristece saber que pessoas com intelecto fantástico esquecem de tudo que sabiam por loucura. A loucura real é triste.

Sabe de um tipo de louco engraçado? Aqueles que têm medo de ficar louco. Acabam vivendo em uma paranóia, uma doença. E quando percebem, eles já estão loucos. Talvez a loucura chegue a nós pelo medo que sentimos dela, não pela idade, ou por qualquer outro motivo. Talvez a loucura esteja na nossa mente, ela mesma se aprisiona, por medo.

Algo que me irrita profundamente são esses adolescentes sem juízo que ficam fazendo papel de loucos. Ficam dizendo que são doidos, que fazem e que acontecem. Mentira, eles não rasgam dinheiro, eles não são loucos coisa nenhuma e muito menos estão aproveitando a vida por fingir ser algo que não são. Não entendo por que tem tanta vontade de loucura. Eles realmente acham que algo de diferente vai lhes acontecer? Acham que serão aceitos nessa sociedade? Não sei o que passa na cabeça deles. Não sei quem lhes disse que ser louco é bom.
Pior ainda são os que chamam os amigos de loucos. Eles não sabem da missa um terço da vida do amigo. Porque, normalmente, quando chamam, são aquelas pessoas que nunca falaram com você e só porque um dia você riu mais alto estão lá, te chamando de louco.
Argh, eu nunca vou entender esse fogo, essa sede de loucura. É apenas estupidez.

E talvez eu seja insana de ficar criticando os outros, sem olhar pra mim, me contradizendo o tempo todo. Merda, insanidade é algo diferente. Só sou uma mente confusa.

Goodbye, Strangers.

domingo, maio 3

Domingo = Tédio?

Muita gente gente fala sobre o famoso "tédio de domingo", mas eu não acho que domingos são tão tediosos assim. É apenas um começo, ou fim, tanto faz, de uma semana. Ou dia de fazer dever.
Para mim, os domingos são tediosos apenas depois das quatro, dependendo do dia. De manhã eu normalmente assisto a programas de velocidade, o que me dá um sono violento, mas ao mesmo tempo é algo que eu gosto de fazer. E bem ou mal, domingos são meus dias em família. Seja quando vem aquela turma toda (meia dúzia de gatos pingados) aqui pra casa (Natal, Páscoa, Dia das Mães e Dia dos Pais). Bom, eu acabo aproveitando. Mas, sinceramente, eu não sou lá do tipo família. Pra mim, é um porre na maioria das vezes, mas acho que só o fato de vê-los me deixa animada para a situação, não sei.
Enfim, domingo é o dia que eu passo com meus pais. É claro que eu também fico no computador, mas, é o dia em que eu mais fico com eles. Passamos quase que o dia todo juntos e isso é bastante bom, eu gosto dos meus pais.
Certo, domingos são mesmo tediosos. Mas isso depende bastante do que vai acontecer na sua segunda-feira. Se vai ser uma segunda medíocre onde nada de novo vai acontecer e você está pouco se lixando pra ela, bom, daí o domingo é um tédio. E quando tem algo realmente importante para fazer no dia seguinte, é massacrante, pura pressão. Acho que o segredo dos domingos é manter-se ocupado. Se gastar seu tempo de domingo fora de casa, nem vai perceber o dia passar, e vai aproveitá-lo de verdade.
Mas, meu Deus, que tipo de texto é esse? Domingos?
Ao longo desse domingo, eu pensei em vários temas, de verdade. Mas eu devo sofrer de algum mal, pois esqueci-me de todos. O que me restou foi um texto ridículo sobre domingos.
Sabe do que eu sinto falta?
Sinto falta de escrever de verdade. Sem um dicionário virtual, ou seja lá qual é o nome disso, me corrigindo a cada erro. Eu sinto falta de papel, tinta e palavras. As únicas coisas que eu tenho escrito são textos para escola, redações cujos temas eu não gosto, telefones, coisas assim, sem sentimento.
Eu sinto falta de pegar em um caderno e, com toda devoção do mundo, pregar palavras naquela folha então sem vida. Eu sinto falta da emoção e da verdade que colocava em tais coisas.
Agora só tenho tido tempo de escrever aqui, por um teclado, onde eu erro e erro inúmeras vezes. Onde ninguém pode confundir minha grafia com minha ortografia. Ah, escrever aqui é tão sem graça, sem vida. A única real vantagem é que é possível publicar alguma coisa escrita em seu computador. Mas mesmo que um texto feito no papel não seja feito para que passe de mão em mão, eu adoro expor os meus. Eu adoro opiniões na verdade.
Talvez eu precise dos meus textos para afirmar alguma coisa sobre mim. Talvez eu precise que me elogiem nas coisas que eu faço para que eu não abandone. Porque... eu nunca tinha parado para pensar, mas eu sou assim, se eu faço algo, tenho que ser a melhor naquilo, quase contrário, eu desisti, alego que não gosto. Porque eu não gosto de falhar.
Mas não ser o melhor em algo, quer dizer realmente falhar? Ou desistir de algo porque é o pior é falhar?
Acho que falhar é não se dar a chance de tentar.

Goodbye, Strangers.

sábado, maio 2

Algo novo para me inspirar.

Ultimamente a preguiça tem me dominado. É como se nada mais me desse prazer, se nada do que um dia eu julguei essencial, vital, me satisfizesse mais, me desse alegria, me bastasse. Então eu simplesmente parei de fazer as coisas, primeiro parei de ler, depois de desenhar, daí larguei os meus textos, meus cadernos e minhas páginas na internet, larguei minhas próprias fotos, larguei os meus estudos, larguei até mesmo a televisão. As duas únicas coisas que eu tenho feito são estudar e ficar em frente a esse computador, editando fotos que nem minhas são.
Confesso que largar certos vícios me deram o melhor círculo de amizades que eu já tive. Mas será mesmo? Só porque agora eu falo com mais pessoas e porque eu abraço mais gente do que antes quer dizer que meu círculo de amizades é melhor. Não sei se é bem por aí. Ao mesmo tempo em que eu tenho esses meus amigos, nenhum deles é aquele amigo para mim, e nem eu sou para algum deles. Talvez eu seja um boa amiga, de ambos os pontos de vista. Mas, ainda assim, eu não sinto total confiança neles, confiança que eu sentia em uma única pessoa. Pessoa em quem eu podia confiar para tudo, revelar os meus segredos mais obscuros, meus medos, minhas alegrias tolas. E ela via em mim até mesmo as coisas que eu não tinha percebido, coisas das quais eu não sabia ainda. Acho que nunca me senti tão bem perto de uma pessoa. E eu não aproveitei suficientemente. Agora ela se foi, nosso contato está se perdendo. E eu nunca senti tanta falta de alguém assim.
Então, mesmo com esse bando de amigos que eu tenho, eu ainda me sinto só, bem no fundo. Porque os meus amigos, amigos em quem eu posso confiar sem maiores medos ou preocupações, amigos iguais ou completamente diferentes. Bom, eles estão longe quando eu preciso deles.
E meus amigos de verdades só estão tão longe assim pelos meus medos, medo de mostrar a cara e fazer amigos que estivessem realmente aqui, presentes. Mas eu não me arrependo... Mesmo estando longe, são os melhores amigos que já tive, me compreendem e compartilham parte da vida deles comigo. Às vezes é bom saber que eles também se sentem assim em relação a mim.
E colocar os meus amigos um do lado do outro só me faz ver que eu convivo mesmo é com estranhos. Estranhos a quem eu amo. Mas estranhos a minha realidade, eu sou estranha a eles. Não sei de nada da vida deles, nem eles da minha. Eu me sinto uma estranha em meio a eles. O único lugar onde me sinto bem, onde me sinto no meu lugar, é perto daqueles que estão longe.
E toda essa nova aventura de amigos novos, de mini paixões, toda essa nova vida me fez perder a velha, a vida da qual eu gostava. Não que eu não goste dessa. Mas essa não sou eu. Eu sou aquela menina que passava horas sentada em uma cama lendo, eu sou aquela menina que fica desenhando olhos nos cadernos, que escreve sobre tudo, que faz da escrita uma forma de protesto e um comprimido para a loucura. Onde está essa pessoa? É tudo que eu preciso saber. Só o que eu vejo é uma menina fútil e mórbida que deixou até a vaidade desvairada de lado para se tornar normal, para se sentir aceitável e membro da sociedade dos novos amigos. Antes eu tinha personalidade, hoje eu me sinto só uma nuance do que um dia eu fui, hoje eu sou tudo que um dia eu critiquei, sou tudo que aos poucos fui deixando de ser.
Por isso fiz esse blog. Uma tentativa desesperada de voltar ao normal, de recuperar toda aquela inspiração que eu tinha antes. É uma esperança de voltar a ser aquilo que eu realmente sou, não o que me enfiam goela abaixo.

Goodbye, Strangers.