Para começo de conversa, meu dia me rendeu maravilhosos pensamentos. Logicamente eu não lembro de todos, não mesmo. Mas alguns me marcaram um pouco.
Um deles foi o de saber que ano que vem eu faço 16 anos, eu sei que posso estar colocando a carroça na frente dos bois, porque nem 15 eu fiz ainda. Mas, sabe, isso me deu um clique, como se fosse algo me dizendo que está na hora de começar a viver. E eu fiquei muito feliz de saber que eu estou realmente começando a fazer isso. O mês começou há duas semanas e eu saí em quase todos os finais de semana. E estou me tornando alguém mais simpático, e um pouco popular. Não que eu goste, tenho um pouco de medo. E me sinto desconfortável, não sou do tipo de menina que fala com todo mundo. Por mais que Yvilla discorde, eu nasci para o anonimato.
Outro foi o de como eu reclamo. Sempre que eu escrevo, estou criticando, reclamando, ou tentando causar um tipo de revolta. Mas às vezes, eu gosto de escrever sobre alegria, sobre amor e sobre como é bom estar apaixonada. Mas no momento, tudo que me domina é o torpor. Estou melhorando muito, ando me divertindo à beça e perdendo medos. Acho que logo, logo estarei boba e feliz outra fez.
Enquanto pensava nas minhas reclamações, resolvi pensar nem que por pouco tempo em como as coisas são bonitas e em como eu gosto de Petrópolis. Isso porque eu sempre reclamo de ter nascido aqui e não em São Paulo. Mas daí eu fui para a sacada e fiquei observando a cadeia de montanhas com os pequenos bois no topo de algumas; observei o céu claro com pequenas manchas que formavam as nuvens; observei os urubus voando no alto, os passarinhos nos fios, as árvores; parei e comecei a conversar com minha gata, que falou comigo por debaixo das flores. Eu queria ter uma câmera comigo o tempo todo para que eu pudesse fotografar toda essa beleza, guardá-la para depois. E havia tempo que eu não pensava assim, havia tempo que eu não observava o simples.
Logo de manhã, falando com minha mãe. Ela tinha brigado com meu pai, e ela estava sendo infantil. Eu disse umas coisas para ela e acho que ela entendeu. Pensei em como isso é frequente, em como é comum eu me ver no lugar de única mulher adulta mesmo; já que minha vó age como se tivesse três anos, tudo que se fala para ela é motivo para choro, o jeito como ela torce tudo. Minha mãe é adulta, fato. Mas às vezes ela é tão infantil, insensata. E, mais uma vez, torce demais as coisas. Eu sei que torço coisas para caramba. Mas, sei lá, acho que sou mais racional. Ou não. Isso não é algo que eu domine bem, mas me fez pensar.
Bom, um dia sem grandes tarefas me rende vários pensamentos, mais do que em um dia comum.
Goodbye, Strangers.
domingo, maio 10
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