Ultimamente a preguiça tem me dominado. É como se nada mais me desse prazer, se nada do que um dia eu julguei essencial, vital, me satisfizesse mais, me desse alegria, me bastasse. Então eu simplesmente parei de fazer as coisas, primeiro parei de ler, depois de desenhar, daí larguei os meus textos, meus cadernos e minhas páginas na internet, larguei minhas próprias fotos, larguei os meus estudos, larguei até mesmo a televisão. As duas únicas coisas que eu tenho feito são estudar e ficar em frente a esse computador, editando fotos que nem minhas são.
Confesso que largar certos vícios me deram o melhor círculo de amizades que eu já tive. Mas será mesmo? Só porque agora eu falo com mais pessoas e porque eu abraço mais gente do que antes quer dizer que meu círculo de amizades é melhor. Não sei se é bem por aí. Ao mesmo tempo em que eu tenho esses meus amigos, nenhum deles é aquele amigo para mim, e nem eu sou para algum deles. Talvez eu seja um boa amiga, de ambos os pontos de vista. Mas, ainda assim, eu não sinto total confiança neles, confiança que eu sentia em uma única pessoa. Pessoa em quem eu podia confiar para tudo, revelar os meus segredos mais obscuros, meus medos, minhas alegrias tolas. E ela via em mim até mesmo as coisas que eu não tinha percebido, coisas das quais eu não sabia ainda. Acho que nunca me senti tão bem perto de uma pessoa. E eu não aproveitei suficientemente. Agora ela se foi, nosso contato está se perdendo. E eu nunca senti tanta falta de alguém assim.
Então, mesmo com esse bando de amigos que eu tenho, eu ainda me sinto só, bem no fundo. Porque os meus amigos, amigos em quem eu posso confiar sem maiores medos ou preocupações, amigos iguais ou completamente diferentes. Bom, eles estão longe quando eu preciso deles.
E meus amigos de verdades só estão tão longe assim pelos meus medos, medo de mostrar a cara e fazer amigos que estivessem realmente aqui, presentes. Mas eu não me arrependo... Mesmo estando longe, são os melhores amigos que já tive, me compreendem e compartilham parte da vida deles comigo. Às vezes é bom saber que eles também se sentem assim em relação a mim.
E colocar os meus amigos um do lado do outro só me faz ver que eu convivo mesmo é com estranhos. Estranhos a quem eu amo. Mas estranhos a minha realidade, eu sou estranha a eles. Não sei de nada da vida deles, nem eles da minha. Eu me sinto uma estranha em meio a eles. O único lugar onde me sinto bem, onde me sinto no meu lugar, é perto daqueles que estão longe.
E toda essa nova aventura de amigos novos, de mini paixões, toda essa nova vida me fez perder a velha, a vida da qual eu gostava. Não que eu não goste dessa. Mas essa não sou eu. Eu sou aquela menina que passava horas sentada em uma cama lendo, eu sou aquela menina que fica desenhando olhos nos cadernos, que escreve sobre tudo, que faz da escrita uma forma de protesto e um comprimido para a loucura. Onde está essa pessoa? É tudo que eu preciso saber. Só o que eu vejo é uma menina fútil e mórbida que deixou até a vaidade desvairada de lado para se tornar normal, para se sentir aceitável e membro da sociedade dos novos amigos. Antes eu tinha personalidade, hoje eu me sinto só uma nuance do que um dia eu fui, hoje eu sou tudo que um dia eu critiquei, sou tudo que aos poucos fui deixando de ser.
Por isso fiz esse blog. Uma tentativa desesperada de voltar ao normal, de recuperar toda aquela inspiração que eu tinha antes. É uma esperança de voltar a ser aquilo que eu realmente sou, não o que me enfiam goela abaixo.
Goodbye, Strangers.
sábado, maio 2
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