sexta-feira, maio 14

Estourando bolhas.

Pois bem, cá estou eu, depois de um milhão de anos escrevendo novamente. Verdade que passei um tempo absurdo escrevendo apenas o que a escola me pedia, o que foi muito pouco, falando a verdade. E escrevendo algo direcionado, fica muito e muito difícil colocar tudo aquilo que se sente, que se pensa, que se vive para fora. Por isso que eu tenho esse refúgio, guardo esses textos que ninguém lê mas tem a possibilidade de, para que eu possa escapar da minha mente, que não é lá muito sã.
Porque se eu só pensar, pensar, pensar e nunca expressar tais ideias, minha cabeça acabaria por explodir, ainda mais quando a situação está grave, quando ela trata de pessoas diferentes, além da minha pessoa. E é assim que estamos constantemente estourando as bolhas dos outros.

Estourando Bolhas.

Uma das coisas que mais me estressa na sociedade em que vivemos é o fato de termos que viver em sociedade, realmente. As pessoas com quem você é obrigado a conviver estão sempre estourando a sua bolha, entrando no seu íntimo, no lugar onde você não precisa de mais ninguém que não você. Mesmo que sem querer, elas insistem em romper aquela invisível capa plastificada em volta de cada ser humano, cada essência de ser humano.
Talvez por considerarem-se nossos amigos, estão sempre dando palpite que não foi pedido, conselho que não é necessitado... Não que isso seja ruim, mas quando você se vê numa situação complexa, onde só você sabe com todos os detalhes o que está sentindo, é um tanto quanto absurdo aceitar a ideia de que alguém que não sabe da missa um terço quer opiniar, lhe dizer o que é melhor e certo. Afinal, o que essa pessoa diz nunca é o que você considera melhor, não por inteiro. Aí, isso só aumenta a confusão já existente. E mais uma vez, vemos uma bolha estourada, alguém deixando o que estava dentro, mascarado, camuflado, vir à tona para a realidade, o exterior, exposto. E aí, a quantidade de pessoas que estouram sua bolha e ainda maior "O que aconteceu?" "Por que você tá assim?" Meu Deus! Que tanto interesse é esse na vida alheia?
E por não resolver tal situação, acabamos fazendo com que quem espera por uma resolução estoure sua própria bolha, expondo o que deveria ficar guardado.
E aí, de repente, quando você mais quer reconstruir sua bolha, para que uma pessoa em especial não repare o quão desastrosa você está; essa mesma pessoa fura a sua bolha, mas dessa vez de um jeito diferente, do jeito físico, com braços, pernas, corpo mesmo. E, quando essa bolha é rompida, o que aparece é algo feliz, um você feliz.
Aí fica a pergunta, por que algumas pessoas rompem a sua bolha de um jeito bom e outras de um ruim mesmo que façam a mesma coisa? Talvez porque você queira que elas furem essa bolha, é, verdade. Mas, fora isso... Por que sempre vai ter alguém que é melhor? Isso já é predeterminado ou é algo pelo qual ficamos esperando, ou não para acontecer? Quando vamos saber exatamente o que queremos, o que sentimos? Quando nossas bolhas vão parar de estourar e reconstruir e estourarão de vez ou se tornarão uma capa inatingível?
Acho que nunca, nem depois de muitos anos de evolução. E agora eu estou aqui, totalmente alucinada, não de um jeito tóxico, que te faça ver dragões, mas comigo mesma, vendo a vida de um ângulo feliz, não de um ângulo insatisfeito. E eu sei que assim como ontem o dia do nada melhorou e meu humor idem, pode ser que amanhã essa mesma pessoa rompa a minha bolha imaginária, emocional e faça com que o sentimento de angústia volte; mas eu saberei que ele passará. Pode até demorar mais que da última vez, mas ninguém nunca precisou de uma única pessoa pra sobreviver, mas sim de várias, e esses eu sei que tenho, por mais que rompam a minha bolha.
Então, essa bolha é tão importante assim, ou, simplesmente faz parte da vida que ela se rompa e rompa de novo?


Goodbye, Strangers