Eu fico observando quieta a maneira como as pessoas falam de outras pessoas. Principalmente em pequenos relacionamentos, de todos os tipos. Parece que hoje o que importa mesmo é a quantidade no lugar da qualidade. Não importa se você tem bons amigos se tiver vários, e se algum dia você enjoar deles, ótimo, você joga aqueles fora e compra novos. Não se compra pessoas, ou se joga fora.
Em relação a amigos, isso acontece menos, as pessoas estão mais interessadas em falar quem têm milhões de amigos, mesmo que não saibam da vida de um terço deles. O pior são os namorados. Cada semana eu vejo aquelas mesmas pessoas com pessoas diferentes. E aquelas outras em quem andavam enfiando a língua semana passada já não significam nada. Isso não deveria ser assim. As pessoas deveriam guardar seus sentimentos e elas mesmas para alguém de quem elas realmente gostem, não para o primeiro que aparecer só porque estão carentes. Me entristece muito ver esse tipo de coisa, entristece não, me decepciona. Me deixa completamente decepcionada com a nossa juventude de hoje, porque nós não somos o futuro, somos o agora. E o agora é isso? É essa coisa libertina, onde ninguém é de ninguém, onde ninguém liga para ninguém, onde as pessoas são objetos que se usa vez sim e vez não.
Pessoas não são brinquedos que se doa quando fica grande demais para eles. Pessoas são partes da sua vida, elementos que você permitiu que entrassem ou se convidaram e tornaram-se necessários. São também tudo que nos cerca, invisíveis a alguns, importantes a outros; assim, parte. Não objetos, ou sei lá como considerar o modo como são tratadas hoje.
O que mais irrita é que todos aceitam isso como se fosse normal. Como se fosse algo bom. Quantas vezes eu já ouvi "beijo bom é quando se gosta da pessoa". Então por que diabos beijar alguém que você não gosta? E depois agir como se nada tivesse acontecido. Isso é casualidade? Não chamo assim, pra mim é um desperdício de amor, de emoções, de essência do ser humano. É um desperdício de tudo, é uma maneira de não dar a mínima para o que você é.
Não e chame de antiquada, eu sei que sou. Mas se a modernidade é essa coisa transviada, errada, eu acho que prefiro os tempo antigos. Onde as pessoas realmente amavam antes de dizer isso para todos, onde as pessoas se importavam com quem estavam, onde sabiam com quem estavam, onde pessoas não eram colecionadas como figurinhas, onde se tinha poucos amores, mas verdadeiros.
Goodbye, Strangers.
quinta-feira, maio 21
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