quarta-feira, fevereiro 3

A que tudo se refere, afinal?

Sabe, há muito tempo eu venho refletindo sobre algumas coisas com as quais nos deparamos ao longo da nossa vida. Uma delas é o que a move. Pode parecer bem desesperado, mas acho que nessa idade, o que move a vida de uma menina são, bem, paixões.
A escola tem uma presença enorme, mas ninguém pensa na escola noite e dia, a escola é o ambiente no qual convivemos, vivemos. Mas não é o nosso principal objetivo. Talvez seja o de algumas pessoas, mas há muitos anos já não é mais o meu.
Amigos, é, amigos estão sempre ali, ou pelo menos você quer desesperadamente que estejam. Essa fase, talvez seja a em que mais se precisa de amigos. Mas, por mais que tenham a amizade mais intensa do mundo, mais profunda... Vão SEMPRE falar, nem que seja só de vez em quando, de alguém especial, de alguém que deixou de ser.
E quando não há esse alguém especial? AH-HÁ! Daí você surta, entra em parafuso desespero, busca essa tal pessoa no passado, em uma relação interrompida que já deu o que tinha que dar, e cá entre nós, foram muitos mais espinhos do que flores. É claro que eu estava loucamente apaixonada na época, achando aquilo a melhor coisa do mundo, mas, bem, não era. Não era porque eu continuava carente, só que eu não podia saciar tais vontades porque a pessoa que eu amava morava a quilômetros de distância, e adivinhe? Éramos namorados.
E, bom um dia, não por minha vontade, isso teve um fim. E com esse fim, minha vida pareceu dar um salto, minha relação com os amigos melhorou de maneira arrebatadora e também com meninos, eu deixei todo aquele meu medo de lado. E hoje sei que não havia motivo a temer. Talvez eu nem tivesse medo, eu só achasse que o amor era uma coisa mais obrigatória do que realmente é.
Bem, mas eu acho que eu preferia aquela garota sem experiências de antes, porque ela pelo menos estava certa do que queria. Ela queria uma pessoa, de qualquer modo, não importa o quão magoada ela pudesse vier a ficar, estar com aquela pessoa, tê-la, nem que pela metade, já a fazia feliz. E, talvez essa menina acreditasse mais quando essa mesma pessoa hoje chega pra mim e diz que me ama. Talvez porque naquele tempo, ela não quisesse esconder nada de mim, porque eu era o segredo.
Mas, depois que eu deixei de ser o segredo pra ser o real, pra ser o que todos sabiam, bem, daí as coisas mudaram. Ela começou a mentir, talvez mesmo que sem querer, e agora eu nunca sei se ela diz a verdade. E, quer saber, eu nem sei se eu mesma digo a verdade. Porque eu digo que a amo, mas será que é mesmo isso que eu sinto? Ou eu simplesmente sinto uma nostalgia tão grande do que vivemos que me dá essa vontade de viver o meu passado?
E até que ponto isso me faz bem? Porque antes, não me importava o que meus amigos iam dizer, me apoiando ou não, eu estava naquela situação e não iria sair, porque eu realmente a amava. E eles me apoiavam, porque podiam sentir. E hoje, que eles não sabem que talvez eu ache que esses sentimentos tenham voltado, não gostam nem de ouvir o nome de tal pessoa, não comentam, fazem cara feia, chamam de mentiroso, e outros até me dizem que não vale um ovo sequer. E o que eu devo dizer a eles? Que eu tenho feito planos de me casar com essa pessoa que me esconde as coisas, que me fez sofrer, que diz que me ama e quer que eu seja sua mulher, mas conta pra outra amiga que está apaixonada por outra pessoa, outras pessoas. Esta pessoa é alguém que não abre mão de nenhum dos seus alguéns.
E aí, em alguns momentos eu ouço aquelas músicas que eu costumava dizer nossas.
E eu lembro que ela dizia que tais músicas a faziam pensar em mim. Mas, nada do que aquelas músicas dizem fazem sentido na relação que nós temos, porque todos aqueles compositores estavam VERDADEIRAMENTE apaixonados, e o que temos hoje, é uma sujeira, uma mentira. Talvez não seja pra uma esperança lá no fundo, aquela mesma que sonha em ir pra terra do nunca, aquela mesma que não sente medo do mundo real.
Mas hoje, eu penso diferente, e essa esperança não é uma parte pensante minha. Hoje eu sei que não quero me meter em um relacionamento à distância, eu sei o que eu quero, eu quero alguém.
Mas toda santa vez que eu TENHO alguém, eu surto porque eu acho que não quero esse alguém suficientemente pra estar tão ligada a ele. E aí eu termino. E depois disso, eu fico com vontade de ter um flash back, porque, adivinha, eu GOSTO da pessoa. Mais uma vez essa maldita obrigação do amor me enchendo as ideias. E, bom, talvez no fundo isso seja o certo, porque gostar eu gosto de muita gente mesmo.
O que eu queria mesmo, mesmo era me perder em uma paixão, a ponto de só pensar nesse alguém. E queria que essa pessoa me amasse com a mesma intensidade, queria que ela entendesse meus sentimentos. Que ela fosse aberta comigo, que tivéssemos uma relação boa, que tivéssemos muitas músicas lindas... Eu queria um amor, muito parecido com o que eu já vivi, só que melhor e aqui.
E sabe, agora eu estou confusa. Porque ao mesmo tempo que eu quero isso tudo, eu quero as coisas antigas, eu quero aquela pessoa que eu achei que não queria suficientemente, e eu quero também aquela que mente, que faz todas essas coisas erradas. E ao mesmo tempo, eu não quero ninguém, eu quero ser liiiiiiiiivre.
Mas de que adianta ser livre se eu não for me apaixonar? Não sei.
Afinal, ninguém nunca soube tudo, que dirá eu.
Mas que isso me deixa intrigada, que me dá uma angustia e umas poucas lágrimas à noite ao ouvir aquelas histórias de amor, me dá.
Enfim, eu precisava desabafar, é.

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